sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Cansaço.

“Chega uma hora, uma bendita hora, em que acontece algo que, embora não aparente de imediato, pode ser a melhor notícia da temporada, a mais promissora, desde que não nos estreite os olhos, nem congele o coração: a gente se cansa. De algumas coisas. De um monte delas. Das ilusões. De se apertar pra caber em autoimagens que, na maioria das vezes, não têm nada a ver com a gente. Cansa de ficar à mercê da felicidade que parece acontecer só de fora pra dentro. (…)

Nem todo cansaço é ruim. Há cansaço que cria intervalos preciosos, férteis de transformação. Há cansaço que nos torna mais parecidos com nós mesmos, de novo ou pela primeira vez, e mais próximos do lugar em nós onde pulsa o que nunca se cansa. Há cansaço que nos leva ao instante, em que, exaustos, reverenciamos a vida e dizemos para ela mais ou menos assim:

- Entrego o meu cansaço, farta de perceber que, por mais que eu tente, não tenho controle com relação a tudo aquilo que, de verdade, importa. Eu me rendo à sua sabedoria, que me habita, embora tantas vezes eu esqueça. Por favor, me ensina a simplesmente fluir com você. Por favor, me ensina a simplesmente fazer florir as sementes que você me confia. Por favor, me ensina a simplesmente ser. De preferência, sem muito cansaço.”
 Ana Jácomo.

3 comentários:

  1. Lindo texto. Um desabafo e ao mesmo tempo uma esperança acesa...
    Gostei muito!

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  2. Eu também me encontro em um eterno cansaço... Você tem talento sabia? Já estou te seguindo! Olha, por enquanto meus parceiros estão em links (já te pus lá), mas é só enquanto eu não termino meu processo de reconstrução do blog. Agora só falta o banner do Paciência pra seu blog ficar mais lindo! *-* Então, parceira? ;]

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